O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) prevê possíveis ganhos para as exportações do agronegócio brasileiro com o novo capítulo da guerra comercial entre China e Estados Unidos. Nesta terça-feira (4/3) a China impôs tarifas retaliatórias a produtos agrícolas e alimentos americanos, inclusive milho, soja e proteínas animais.
De acordo com membros do governo ouvidos pela Folha, que falaram sob condição de anonimato, o Brasil é o substituto natural para muitos dos produtos dos EUA agora sobretaxados pela China.
A expectativa é de um cenário parecido ao primeiro mandato de Donald Trump (2017-2020), quando o país se beneficiou, principalmente em um primeiro momento, de retaliações tarifárias contra os EUA aplicadas por China e outros sócios comerciais dos americanos.
Os ganhos do Brasil na época não foram maiores por causa de uma trégua assinada por EUA e China em 2020. Um dos pontos daquele entendimento era o aumento das compras chinesas de produtos agrícolas americanos. Apesar disso, a avaliação no governo é que o Brasil se consolidou como fornecedor prioritário dos chineses e confiável para casos de disrupções causadas por fatores geopolíticos.
A perda de espaço dos americanos para o Brasil foi reconhecida em um relatório de 2022 do Departamento de Agricultura dos EUA. O estudo destacou que, em 2018, os chineses deixaram de comprar cerca de US$ 8 bilhões em itens agrícolas dos americanos, ao passo que as vendas brasileiras desses produtos tiveram um salto de cerca de US$ 4 bilhões, em relação ao ano anterior.
A nova medida chinesa entra em vigor no próximo dia 10. Será imposta uma tarifa adicional de 15% sobre frango, trigo, milho e algodão e de 10% sobre sorgo, soja, carne suína, bovina, produtos aquáticos, frutas, vegetais e laticínios. Trata-se de uma resposta à decisão dos EUA de dobrar para 20% as tarifas sobre todos os produtos chineses.