Cada 1% de aumento da Selic (Taxa Básica de Juro), representa o acréscimo de R$ 55,2 bilhões a mais na dívida pública, recurso retirado do orçamento público, que poderia estar sendo investido na melhoria da Saúde, Educação, Segurança Pública, Saneamento Básico, no Programa Minha Casa Minha Vida, construção de obras visando estruturar o desenvolvimento econômico e social, além do financiamento de crédito a juros compatíveis para as empresas.
Afora esses pontos, a política de alto juro encarece os financiamentos, e eleva em muito os valores dos serviços e compras parceladas, e o resultado real é o “desaparecimento” do dinheiro do mercado consumidor, trazendo crise, quebradeira e falências para o setor de comércio, serviços e empresas em geral, exclusivamente para satisfazer a ganância dos bancos, especuladores e mercado financeiro em geral.
O país já registra uma das maiores taxas de juros do mundo, fator que causa desestímulo ao investimento produtivo e provoca o direcionamento dos capitais nacionais e estrangeiros para a especulação financeira, afetando negativamente a geração de empregos, a oferta de trabalho decente, a distribuição de renda e o poder de compra, especialmente de alimentos. No fim da linha o aumento da crise, e consequências, acaba trazendo desemprego e degradação das condições de vida.
Esse é o resultado real da recente decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central de elevar a taxa Selic para 14,25% ao ano, anunciada em 19 de março de 2025.
Conforme avaliação divulgada pela Auditoria Cidadã da Dívida (ACD), "todo o processo de definição das taxas de juros - que tem sido o principal fator de crescimento da dívida pública, que não tem servido para investimentos sociais, mas somente para pagar os próprios juros e principal da dívida – está repleto de ilegitimidades, devendo ser alvo de profunda auditoria, feita com participação da sociedade".
A ACD tem demonstrado que o processo de endividamento público tem sido usurpado por um conjunto de mecanismos financeiros cada vez mais sofisticados e levianos, que continuamente transferem dinheiro público para bancos e grandes rentistas. Esses mecanismos "geram" uma dívida pública sem contrapartida, entre os quais estão as elevadíssimas taxas de juros.