Existem encontros na vida, que não podem deixar de serem registrados, como forma de testemunhar a altivez de sentimentos nobres, ainda mais quando acontecem em circunstâncias de elevado grau de identidade forjada em momentos significativos.
No início dos anos 80, foi um período de luta contra o regime militar, de resistência pela liberdade de expressão e redemocratização do país. Época em que aqueles que se engajavam na resistência tinham como traços marcantes de suas personalidades e caráter, a coragem para enfrentar riscos e a generosidade de colocar o interesse coletivo acima do individual, num gesto de solidariedade e amor ao país.
Nesse contexto, Mariluce Guimarães conheceu meu irmão de vida, Renato Silva. O casal se conheceu na época que o Renato abandonou parcialmente o curso de Geologia para ser Presidente da AME- a histórica Associação Mato-grossense de Estudantes. Fazíamos parte do mesmo meio, porque eu participava como amigo do Renato, colega de república e do curso geologia. Parte das nossas atividades para atrair a juventude à participar da AME, apoiávamos atividades e festinhas promovidas pelos Grêmios Estudantis de diversos colégios de Cuiabá nos idos de 1979/80. Era uma Cuiabá antiga, que a maioria se conhecia e se cumprimentava na rua e o Córrego Prainha, ainda estava aberto, sem a atual canalização.
Não lembro a escola, mas a Mariluce com 17 anos era diretora do Grêmio e promovia festas para arrecadação de fundos, no amplo Salão da AME, na Rua Comandante Costa, nos fundos do Banco Bradesco.
Mariluce e Renato se conheceram, namoraram e rapidamente se casaram, devido a gravidez da Mariluce . Aquilo que aparentemente poderia ser uma história comum acabou se revelando um amor fora do normal.
Na República que morávamos, junto com o Renato, o Yuratan , o Baka, Gerson Magal e Eu , decidimos acabar com a República e doar todos os poucos móveis que tínhamos para o Renato iniciar sua nova vida de casal. Também foi um ato de amor nosso, pois adorávamos o casal. Eles alugaram uma casa no Parque Cuiabá e iniciaram em 1980, sua vida de casal, com a companhia do Baka, que não tinha onde morar depois do fim da Republica.
O Yuratan foi para outro lugar, acho que morar com primos e eu fui morar na Clínica Veterinária do meu cunhado Waldir Bertúlio, a Clínica Iverá, na Rua Miranda Reis. Ocupei um quarto vago ao lado do Canil, onde a cachorrada me acordava as 6:00 h da manhã, pelos latidos que faziam, aguardando a primeira refeição, então em tomava banho e ia para UFMT. Tudo é experiência e quando tinha tempo também ajudava meu cunhado Waldir Bertúlio, nas consultas e até nas pequenas operações, (coitado dos cachorrinhos).
Recentemente, no dia 10 de março último, Mariluce partiu, com certeza indo ao encontro do seu amado Renato, que também nos deixou há oito meses atrás. Mariluce, minha querida amiga, depois de 44 anos de casamento, convivência e harmonia, não suportou a ausência do companheiro, e partiu para ir de encontro ao seu grande amor, o amor de uma vida.
Fui testemunha ocular do início deste conto de fadas, desta profunda história de amor, que nasceu e floresceu de uma junção de almas que não conseguem viver em separado, e, hoje, continuam novamente juntas, em um plano superior.
Va em paz, Mariluce, mulher fantástica, cuiabana de família raiz, filha da D. Ayr Guimarães, que mora no início da Av. Fernando Correa, desde a década de 40. Um amplo terreno, cheio de Mangueiras que era palco de festas e confraternização familiares. Mariluce, deixou também seus irmãos, Marilene, o ex vereador Mario Lucio e outros queridos, sem chão pela perda em datas muito próxima do casal. Suas filhas Renatinha e Lucynha, vão manter no coração a lembrança do seus pais que representam para mim um grande exemplo de união e parceria.
Mariluce após a formatura do Renato em 1984, deixou sua cidade Natal, que tanto amava para viver no centro de Goiânia, onde o Renato nasceu e criaram com o coração uma bela família.
Lucinha e Renata, sejam fortes e com muito orgulho do seus pais, sigam suas vidas, tudo vai dar certo, um abraço carinhoso e um grande beijo do Tio Max, como vocês me chamavam, quando eram crianças.
Geólogo - @maxsalustianode
Renata Da Silva Rezende 23/03/2025
Agradeço imensamente pelo carinho com meus pais, eles se amaram e eu e minha irmã somos frutos de um grande amor. Max o seu carinho enche nossos corações de alegria. Plagiando um filme eu digo: Nós Vamos Sorrir. Eles foram luz e vamos continuar sendo iluminados por eles. Obrigada pelo carinho.
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