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Política Sexta-feira, 04 de Abril de 2025, 14:21 - A | A

Sexta-feira, 04 de Abril de 2025, 14h:21 - A | A

Combater inflação com juro alto é enganação, pois não existe aumento do consumo, denuncia auditora fiscal

Da Redação

A fundadora da Organização Auditoria Cidadã da Dívida, Maria Lúcia Fattorelli, uma das principais autoridades do país em matéria de dívida pública, analisa que não se justifica combater a inflação com aumento dos juros, e aponta os reflexos altamente nocivos dos aumentos seguidos da Taxa Básica de Juro (Selic).

Segundo Fattorelli, “o tipo de inflação que temos no Brasil não se deve à elevação do consumo, que estaria provocando o aumento dos preços. O povo brasileiro não tem dinheiro nem para comprar produtos para suprir as suas necessidades básicas e, ainda por cima, está endividado, porque os salários da classe trabalhadora no Brasil são baixos demais! Não existe a alegada demanda aquecida! Ora, onde estaria essa demanda aquecida, se a imensa maioria da população brasileira, segundo o IBGE, tem renda de até 2 salários-mínimos?

A diretoria do Banco Central vem reiteradamente alegando que a alta dos juros seria necessária para combater a elevação da inflação, o que não tem qualquer justificativa técnica, econômica ou científica, pois o tipo de inflação que existe no Brasil não é combatido pela alta dos juros.

A decisão de elevar a taxa básica de juros Selic para o abusivo patamar de 14,25% ao ano na última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, gerou uma despesa extra com juros da dívida pública de cerca de R$ 55 bilhões anuais, além de afetar negativamente toda a economia do país.

O Banco Central alega que a inflação está alta. De fato, a inflação tem subido nos últimos meses, porém, o Banco Central deveria analisar a natureza da inflação que existe no Brasil, pois está aplicando remédio errado!

A inflação tem subido devido à elevação dos preços administrados pelo próprio governo (combustíveis, energia elétrica, planos de saúde etc.), e por causa da elevação no preço de alimentos. Esses preços (administrados e de alimentos) que têm provocado alta da inflação no Brasil não se reduzem quando os juros sobem. Pelo contrário, muitos deles até aumentam, devido ao impacto dos aumentos dos juros na formação dos preços.

Em um país privilegiado como o Brasil (terras férteis, clima favorável, água doce e gente para trabalhar), a alta do preço de alimentos decorre de erros de política agrícola e agrária, pois não cuidam de estoques reguladores; faltam incentivos para a pequena agricultura que de fato produz comida para o povo brasileiro, por exemplo, mas incentivam o grande agronegócio de exportação que produz commodities para exportação e usufrui de isenções tributárias, recebe incentivos fiscais, além de provocar dano ambiental gravíssimo, derrubando florestas, contaminando o solo e as águas, usando água bruta descontroladamente e provocar seca subterrânea”, finalizou Fattorelli.

Maria Lúcia Fattorelli é auditora fiscal aposentada da Receita Federal e fundadora da organização Auditoria Cidadã da Dívida. Sua participação é notória no debate econômico ao criticar a legitimidade da dívida pública nacional, tendo, inclusive, sido convidada para realizar a auditoria soberana de outros países como Equador e Grécia. Em 2019, foi agraciada como o Diploma Bertha Lutz, no Senado Federal.

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