Basta passar nas portas dos estabelecimentos tantos nos corredores comerciais como shoppings, para perceber o marasmo e a ausência de consumidores fazendo compras, o que reflete nos índices negativos que apontam quedas nas vendas.
O juro alto centraliza o dinheiro nos cofres dos bancos, que assim engordam o faturamento, afora aumentar endividamento e encarecerem as compras a prazo, vindo a se constituir no principal fator para o afastamento dos consumidores.
Os bancos cobram 21,2% de juro por ano pelo dinheiro emprestado para o financiamento das empresas, o que provoca elevação dos preços no varejo, especialmente nas vendas a prazo, e muitos produtos dobram ou até triplicam os preços nas vendas parceladas.
As vendas do comércio varejista em fevereiro deste ano caíram -0,1% em relação a janeiro, segundo divulgou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), nesta sexta-feira (14). É a terceira taxa negativa consecutiva, após os recuos em novembro (-0,2%) e dezembro (-0,3%).
Além da queda das vendas do comércio em janeiro, a produção industrial brasileira ficou estagnada (0,0%) após três meses seguidos de queda, e o volume de serviços caiu -0,2%, após registrar zero em dezembro. Assim vai se confirmando o quadro de desaceleração da economia, manifestado no resultado do Produto Interno Bruto, que ficou praticamente estagnado no quarto trimestre (0,2%), e alertado pelo setor produtivo e economistas. Com os juros mais altos do mundo, baixo investimento e renda apertada, a economia será levada à estagnação.
Entre as 8 atividades analisadas pelo IBGE, 4 tiveram taxas negativas, com destaque para o setor de hiper e supermercados, que é o de maior peso no índice, segundo o IBGE, com queda de -0,4%, refletindo a redução no consumo das famílias, que vê sua renda diminuir com os preços dos alimentos subindo e as altas taxa de juros no crédito. Sem crédito e sem renda, caem as vendas de Tecidos, vestuário e calçados (-0,1%), Móveis e eletrodomésticos (-0,2%) e Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria (-3,4%).
As variações positivas ficaram com: Equipamentos e material para escritório informática e comunicação (5,3%), Combustíveis e lubrificantes (1,2%), outros artigos de uso pessoal e doméstico (0,7%) e Livros, jornais, revistas e papelaria (0,6%).
No comércio varejista ampliado, que inclui veículos, motos, partes e peças e material de construção, o volume de vendas cresceu 2,3% em janeiro. A média móvel foi de -0,2%.