Ainda que o governador Mauro Mendes tenha dado a entender que não teme que a não conclusão das obras do BRT possa causar reflexo negativo na eleição do próximo ano, é possível perceber a preocupação de aliados do governo com o iminente risco de atraso.
As obras iniciaram em janeiro de 2024 e da extensão de 35 Km até a presente data apenas 20% foram concluídas, o que levou o governo a romper o contrato com o Consórcio BRT no início de fevereiro, por motivo de atraso.
Diante das incertezas devido ao atraso, o deputado estadual Eduardo Botelho e o presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso, Max Russi, defendem que os próximos trechos sejam divididos e entregues à várias empreiteiras, simultaneamente. Por justos motivos ambos os deputados citam os transtornos para a população, porém também existe a preocupação com o desgaste à imagem do governo caso o BRT não seja concluído, pois pode representar a derrota do governador Mauro Mendes, seu grupo político e aliados, na disputa eleitoral do próximo ano.
O olhar crítico de especialistas aponta o risco iminente da obra não ser concluída a tempo, e diante de um contexto que envolve a disputa eleitoral pelo poder político, não se pode descartar um cenário de exacerbação dos gastos públicos para viabilizar o término, levando em contas que a conclusão do BRT tem papel decisivo em termos eleitorais. Uma circunstância que desde já pode ser observada na intenção de contratar várias empreiteiras e em regime emergencial.
As obras foram iniciadas apressadamente, com base apenas em anteprojeto, e contratadas por meio de Regime Diferenciado de Contratação Integrada (RDCI). Sem um projeto arquitetônico consistente, contendo a previsão dos problemas, as adversidades no percurso foram maiores do que o esperado, origem dos atrasos e incertezas geradas.
Os veículos do BRT são elétricos e não transitam sobre alagamentos como os que se verificam na Avenida da Prainha. Para corrigir os alagamentos a empresa Águas Cuiabá, concessionária do serviço de águas e esgoto, realizará obras nas redes coletoras de 16 bairros da região central, com ações ao longo das 11 sub-bacias que compõem a bacia da Prainha. Também são imprescindíveis obras de drenagem e reparos para coleta de esgoto sanitário no córrego da Prainha, desde o bairro do Porto até a região central, incluindo o Centro Norte e Sul, Centro Histórico, bairros do Baú, Bandeirantes e Avenida Miguel Sutil, no Araés.
As obras consistem num conjunto de ações para implantação de 10,9 Km de rede de esgoto, reforço de 7 Km de sistema misto existente, instalação de 224 caixas combinadas, readequação de 405 bocas de lobo e reforço em 5,3 Km de rede de drenagem já existente.
Como se observa, um agrupamento de obras complexas, com a conclusão prevista para dezembro deste ano. Obras que exigem tempo considerável para serem edificadas, e que terão de se compatibilizar com trânsito e estação das chuvas, que inicia em outubro.
O doutor em Engenharia de Trânsito, Luiz Miguel de Miranda, analisa que nos trechos das avenidas Fernando Correia e Prainha existem mais dificuldades do que na Avenida do CPA e Várzea Grande, o que deve trazer problemas complexos para a conclusão das obras.