Durante reunião realizada na Assembleia Legislativa o secretário de Estado de Infraestrutura e Logística, Marcelo de Oliveira, informou que as obras do BRT (Transporte Rápido por Ônibus – Bus Rapid Transit sigla em inglês) serão divididas em lotes e existirá a contração de várias empresas por especialidades, numa corrida contra o tempo na busca por acelerar o término.
O risco da não conclusão da obra do BRT traz insegurança para o governador, sua equipe de governo e aliados políticos, uma vez que se o término não ocorrer antes do período eleitoral, poderá provocar grande desgaste à imagem do governo, expondo a risco de derrota eleitoral o projeto de Mauro Mendes e seu grupo político.
É indiscutível que o embate com o ex-prefeito Emanuel Pinheiro, que usou de recursos judiciais, articulações políticas e ações administrativas da Prefeitura de Cuiabá para obstruir a obra, contribuindo para retardar a construção do BRT. Mas, por outro lado, não são apenas as ações do ex-prefeito Emanuel Pinheiro que pesam para o atraso das obras. O governo do estado também errou ao efetivar a contratação por Regime Diferenciado de Contratação Integrado (RDCI), sem projeto arquitetônico com a previsão dos problemas e planejamento das medidas para enfrentamento.
Agora, emergem as consequências da decisão precipitadas do governo em realizar a obra à “toque de caixa”, tendo como principal objetivo inviabilizar o VLT, na “guerra” política para enfraquecer e desmoralizar o ex-prefeito Emanuel Pinheiro. Barreiras além do imaginado, têm surgido e atrasado, sobremaneira, a conclusão das obras. De tal maneira, que apenas 18% da obra foi concluído até o momento, gerando uma situação de incertezas...
COMPLEXIDADE DOS PROBLEMAS
Para que se entenda melhor a magnitude dos problemas, em Cuiabá e Várzea Grande circula numerosa frota de 716.860 veículos (Detran Net; dados processados em 1º/12/2024), que congestiona o trânsito. Na linha intermunicipal, que liga Cuiabá à Várzea Grande, trafegam 82 ônibus coletivos urbanos, enquanto na capital uma frota de 321. Somando, diariamente o transporte coletivo de ambas as cidades conduz 230 mil passageiros, que sentem na carne os efeitos negativos do trânsito congestionado.
Sobre o córrego da Prainha o canteiro central não foi construído prevendo obras do BRT, que exige a construção de pista de concreto apropriada, dotada de estrutura para suportar além do peso dos veículos, o transporte da carga de passageiros. A drenagem tem mais de 40 anos, e além de desgastada já não suporta o volume das águas, em particular quando atingindo pelo volume fluvial das chuvas, e os ônibus elétricos do BRT não circulam em pistas alagadas.
Objetivando corrigir os alagamentos da Avenida da Prainha, a empresa Águas Cuiabá, concessionária do serviço de águas e esgoto, realizará obras nas redes coletoras de 16 bairros da região central, com ações ao longo das 11 sub-bacias que compõem a bacia da Prainha. Também são imprescindíveis obras de drenagem e reparos para coleta de esgoto sanitário no córrego da Prainha, desde o bairro do Porto até a região central, incluindo o Centro Norte e Sul, Centro Histórico, bairros do Baú, Bandeirantes e Avenida Miguel Sutil, imediações do Araés.
Afora a conclusão do trecho da Prainha até a Ponte do Rio Cuiabá, ainda cabe acrescentar as obras ligando a estação do Morro da Luz ao final da Fernando Correia, região do Coxipó.