A Confederação Nacional da Indústria (CNI) considerou que a elevação da taxa básica de juros (Selic) para 14,25% pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, na quarta-feira (19/03), “não é necessária para controlar a inflação e prejudicará o ritmo de crescimento da economia”.
“O nível atual da Selic, que implica taxa de juros real de 8,5% a.a. (3,5 p.p. acima da taxa neutra estimada pelo Banco Central), já tem impactado fortemente a economia, que apresenta desaceleração mais aguda do que a prevista, tanto pela CNI, como por diversos analistas econômicos.
“Juros mais altos significam crédito mais caro para as empresas e os consumidores. No caso das empresas, inviabilizam investimentos e dificultam o acesso a recursos de capital de giro essenciais para as necessidades do dia a dia. Com isso, as empresas crescem menos e criam menos empregos, prejudicando a população. No caso dos consumidores, os juros altos encarecem o custo de aquisição de muitos bens, sobretudo os duráveis de maior valor, como automóveis e eletrodomésticos, por exemplo, que costumam depender de financiamento”.
“A desaceleração da atividade econômica, refletida no PIB do terceiro trimestre de 2024, ficou mais forte no quarto trimestre de 2024, uma vez que a economia cresceu apenas 0,2% em relação aos três meses anteriores. Outro resultado preocupante foi o recuo de 1% no consumo das famílias, algo que não ocorria desde o segundo trimestre de 2021”, diz a entidade.
Para a CNI, “os primeiros dados de 2025 não são animadores. Após cair por três meses consecutivos, entre outubro e dezembro de 2024, período em que acumulou queda de 1,2%, a produção industrial se estagnou em janeiro de 2025, frente a dezembro de 2024”.