Um problema grave que segue acometendo a produtora estatal de petróleo do Brasil é a farta distribuição de dividendos. Senão, vejamos. A companhia informou que pagou R$ 102,6 bilhões em dividendos no ano passado. Ou seja, com um lucro de R$ 36 bilhões, a empresa pagou R$ 102,6 bilhões em dividendos. Quase três vezes o que se obteve de lucro foram distribuídos para os acionistas, em sua maioria estrangeiros. É mais do que a empresa investiu, R$ 91 bilhões (US$ 16,6 bilhões), em projetos durante o ano de 2024.
Para a retomada do crescimento e a recuperação da indústria brasileira, que vem sofrendo um processo cruel de desmonte nas últimas décadas, fruto das políticas neoliberais, o papel das estatais é de fundamental importância. São elas que podem puxar o conjunto dos investimentos e ativar a economia. Os investimentos estão em um nível muito baixo no país. Foram as estatais as principais responsáveis pelo grosso dos investimentos que garantiram o sucesso do segundo mandato de Lula, de 2006 a 2010.
Michel Temer e o bolsonarismo tentaram minar o papel das estatais. Tentaram vendê-las todas, até mesmo a Petrobrás. Salvamos a petroleira, mas perdemos a BR Distribuidora, refinarias e gasodutos. A Eletrobrás, maior empresa pública de energia da América Latina foi vendida, numa operação criminosa contra o patrimônio público.
ELETROBRÁS PRIVATIZADA
Com a perda de Eletrobrás e a desistência de sua reestatização pelo governo atual, a petroleira passou a ser mais decisiva do que nunca para a retomada do crescimento. Pagar dividendos muito altos só interessa aos acionistas e especuladores e limita a expansão das atividades da estatal.
Limitar os investimentos da Petrobrás, pagando mais dividendos do que o montante para garantir o crescimento da empresa, é um caminho desastroso para o país.
Até porque, o Brasil usufrui muito pouco desses dividendos. Boa parte deles vão para fora do país ou servem para alimentar a especulação financeira com títulos públicos, que pagam os maiores juros do mundo. Sem falar que os R$ 37, 9 bilhões a que o governo federal tem direito nos dividendos da estatal estão sendo usados quase que exclusivamente para o pagamento de juros da dívida pública.
Fonte: Jornal Hora do Povo (SÉRGIO CRUZ)