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Política Domingo, 09 de Março de 2025, 06:41 - A | A

Domingo, 09 de Março de 2025, 06h:41 - A | A

Comida cara chicoteia o povo, denuncia entidade de mulheres

Da Redação

Em manifesto para o 8 de Março, Dia Internacional das Mulheres, a Federação das Mulheres Paulistas (FMP) cobra retomada de estoques reguladores, controle dos preços e redução dos juros como medidas essenciais para enfrentar a carestia dos alimentos. Abaixo, o texto na íntegra:

MULHERES CONTRA A CARESTIA!

A fome assola as famílias brasileiras.

Chicoteado pela carestia – a inflação dos alimentos – o povo troca um gênero de primeira necessidade por outro de qualidade inferior, parcela suas compras no cartão de crédito, pagando juros estúpidos, e não consegue, com o mesmo dinheiro, comprar este mês o que se comprou no mês passado, às vezes na semana passada.

Sem contar aqueles que, simplesmente, não conseguem comprar o necessário para minimamente se alimentar – e imergem no mundo da subnutrição e mendicância.

Não é sem razão que a expressão “como está caro!” predomina nos corredores de supermercados, nas filas dos açougues e nas feiras-livres.

Nos últimos meses, os preços dos gêneros de primeira necessidade dispararam, comprometendo o acesso a alimentos essenciais. O ovo teve um aumento de 40% no seu preço. Já o café, subiu 30%. Em São Paulo, o preço médio da cesta básica chegou a R$ 851,82, mais da metade do salário mínimo.

Esses números representam o sufoco diário de mães que precisam escolher entre alimentar seus filhos adequadamente ou pagar outras contas essenciais, como aluguel, material escolar, luz, água e gás.

Esse cenário de carestia e de desvalorização da renda dos trabalhadores atinge ainda mais as mulheres, responsáveis pela gestão do orçamento familiar, pela alimentação de suas famílias e que, em média, recebem ainda menos que os homens, além de apresentarem as maiores taxas de desemprego.

Se nos últimos anos enterramos um governo criminoso, que colocou a população na fila dos ossos, hoje passou da hora de superarmos a situação em que ainda temos milhões de pessoas em insegurança alimentar – ou seja, na fome ou à beira da fome, população que, em 2023. ainda atingia 3,2 milhões de lares, segundo o IBGE.

Desses lares, 59,4% são chefiados por mulheres.

A carestia dos alimentos é resultado de uma combinação perversa de fatores: a especulação no mercado de alimentos, a falta de regulação eficiente, a priorização da exportação de alimentos atrelada ao dólar e aos interesses pelo lucro de grandes produtores, e a ausência de políticas públicas robustas que garantam o acesso a alimentos a preços justos.

A exportação em larga escala, incentivada pela valorização do dólar, tem prejudicado o mercado interno, deixando os produtos mais escassos e caros para o consumidor brasileiro. Enquanto os grandes produtores buscam maximizar seus lucros no mercado externo, o povo brasileiro paga a conta com o aumento dos preços.

Apenas se considerarmos o café, as exportações aumentaram 9,5% em janeiro deste ano em comparação com janeiro de 2024. Ao todo, foram 245,3 mil toneladas, ou 4,09 milhões de sacas de 60 kg, embarcadas para fora do país, de acordo com dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex).

Ou seja, o problema do preço realmente não é por incapacidade de produção, ou problemas do clima como alguns tentam justificar.

Diante dessa situação, exigimos a reativação urgente dos estoques reguladores do governo federal, uma política pública essencial para estabilizar os preços e garantir o abastecimento de alimentos básicos para a população. Os estoques reguladores são instrumentos fundamentais para enfrentar a volatilidade dos preços e garantir a segurança alimentar. Eles permitem que o governo intervenha no mercado, comprando alimentos quando há excesso de produção e ofertando-os quando há escassez, evitando assim os abusos de preços praticados por intermediários e grandes conglomerados.

O governo divulgou recentemente um aporte de R$ 170 milhões do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) para investimento na Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), o que consideramos um passo importante, somado ao R$ 1 bilhão que o governo anunciou que pretende investir.

Mas nós sabemos que é possível fazer ainda mais. Para que as medidas de controle de preço e estoques reguladores atinjam ainda mais rápido quem mais tem sofrido com a alta dos alimentos, é necessário criar uma rede de mercados solidários, subsidiada pelos governos federal, estadual e municipal, em que as pessoas cadastradas no CadÚnico possam adquirir os itens essenciais da cesta básica, de higiene e limpeza com preços mais justos e condizentes com a renda média desse público.

É preciso que essa política, atrelada à redução dos juros, seja prioridade absoluta no combate à fome e à carestia. É o caminho para combater a especulação e garantir o direito à alimentação digna às mulheres e às famílias brasileiras.

Neste 8 de março, seguiremos lutando pela vida material e concreta de todas as mulheres, pois sem a dignidade da comida no prato dificilmente avançaremos sobre outros temas tão necessários para a nossa emancipação.

COMIDA CARA NÃO DÁ!

CONTROLE DE PREÇOS JÁ!

Federação das Mulheres Paulistas (FMP)

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