Cerca de R$ 4 milhões em bens, incluindo imóveis e veículos de luxo, foram sequestrados durante o cumprimento da segunda fase da Operação Improbos, deflagrada pela Polícia Civil, em São Félix do Araguaia, a 1.159 km de Cuiabá. A ação é um desdobramento da investigação que levou à prisão de quatro servidores públicos suspeitos de envolvimento em um esquema de desvio de verbas e corrupção na prefeitura municipal.
Além disso, foram cumpridos seis mandados de busca e apreensão, nas cidades de São Félix do Araguaia, Confresa e Barra do Garças. Segundo o delegado responsável, Ivan Albuquerque, a operação representa um avanço na recuperação do patrimônio público e responsabilização dos envolvidos.
As investigações apontaram que a primeira fase da Operação Improbos, deflagrada em outubro do ano passado, identificou movimentações ilícitas que ultrapassem R$ 6 milhões em desvio de recursos públicos.
Diante das provas reunidas, o delegado Ivan solicitou medidas judiciais, como sequestro de bens, bloqueio de contas bancárias, mandados de busca e apreensão e quebra de sigilos bancário e telefônico. Os pedidos foram acatados pelo Poder Judiciário da Comarca.
Segundo as investigações, parte dos valores desviados teria sido usada na compra de propriedades rurais, imóveis urbanos, veículos de luxo e outros bens, registrados em nomes de terceiros para ocultar a origem ilícita do patrimônio. Durante a segunda fase da operação, imóveis em São Félix do Araguaia, uma propriedade rural de alto valor, veículos de luxo e contas bancárias pessoais e empresariais foram sequestrados.
O delegado informou que as medidas judiciais tiveram como base relatórios financeiros, quebras de sigilo bancário e fiscal, além de indícios da utilização de empresas de fachada para movimentação dos valores desviados.
O ESQUEMA
Ivan informou que um dos investigados, identificado como o principal articulador do esquema, usava a posição de controle financeiro para facilitar o repasse de recursos a credores selecionados, assegurando que os pagamentos ilícitos ocorressem sem levantar suspeitas. Ele também intermediava pagamentos irregulares, cobrando comissões pela liberação dos valores.
O segundo suspeito atuava como intermediário, recebendo os valores desviados e distribuindo-os entre os demais envolvidos. A função dele era ocultar a origem dos recursos e garantir que as quantias fossem repassadas conforme as orientações do articulador, garantindo que todos os participantes do esquema fossem remunerados de forma adequada.
Foto: Polícia Civil de Mato Grosso

Os policiais apreenderam documentos, dispositivos eletrônicos e registros contábeis
Já o terceiro investigado utilizava uma série de empresas de fachada para simular a prestação de serviços e a venda de materiais à prefeitura. Essas empresas, registradas em nome de terceiros, emitiam notas fiscais fictícias e formalizavam contratos fraudulentos para justificar o recebimento dos valores desviados, conferindo uma aparência de legalidade às transações ilícitas.
Além disso, o grupo facilitava pagamentos a credores que enfrentavam dificuldades para receber as verbas junto ao município. Os investigados cobravam comissões indevidas para acelerar a liberação dos pagamentos, utilizando a influência na prefeitura para garantir que os recursos fossem repassados mediante uma taxa de retorno. Conforme a investigação, essa prática não apenas desviava recursos, mas também comprometia a integridade do processo de pagamentos, favorecendo empresas que aceitavam participar do esquema.