A Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) planeja aumentar estoques de grãos para conter a inflação crescente de alimentos, e está buscando mudar as regras relacionadas às compras públicas, afirmou o presidente da estatal, Edegar Pretto.
As regras, como são hoje, servem para proteger a renda do produtor e não para formar estoques, disse Pretto, acrescentando que o país agora enfrenta novos desafios.
De acordo com ele, estão ocorrendo discussões para atualizar as diretrizes atuais de aquisição de grãos pela Conab, abrindo uma nova frente para tentar manter a infração de alimentos sob controle.
"Precisamos de mais flexibilidade, e a ideia é que a gente tenha um mecanismo que permita que o governo compre na baixa, sempre na baixa, para não fazer os preços subirem."
"Posso garantir que não entraremos em momentos de alta [de preços], porque não se forma estoques, em nenhum lugar do mundo, com tendências de alta... É nos momentos de alta que você se desfaz dos estoques", disse ele.
Segundo o presidente da Conab, com a colheita de uma "super safra" em 2025, o Brasil pode ter oportunidades para comprar produtos e formar estoques públicos.
"Já temos produtos em queda, caso do arroz, por exemplo, que pode chegar até perto do preço mínimo."
Na semana passada, o Brasil cortou tarifas sobre certos alimentos com o objetivo de conter o aumento dos preços dos alimentos, uma medida que alguns analistas chamaram de ineficaz.
A Conab pode usar R$ 350 milhões adicionais este ano para comprar 445 mil toneladas de grãos como milho, arroz e feijão, disse Pretto, confirmando uma reportagem publicada mais cedo pelo jornal Valor Econômico.
Cerca de R$ 189 milhões já estão assegurados para esse propósito, disse a Conab.